Programa da 19.ª edição anunciado em conferência de imprensa

23.09.2025

O director do LEFFEST — Lisboa Film Festival, Paulo Branco, apresentou hoje, na Sala do Arquivo dos Paços do Concelho, o programa da 19.ª edição do festival, que decorrerá de 7 a 16 de Novembro, em Lisboa. A sessão contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e do administrador executivo da NOS, Luís Nascimento.


O filme de abertura será Father Mother Sister Brother, de Jim Jarmusch, vencedor do Leão de Ouro em Veneza.


Ao longo de dez dias, a Competição Oficial apresenta 12 longas-metragens a disputar o Grande Prémio NOS, que será atribuído por um júri composto por Stacy Martin, Kim Gordon, Rodrigo Moreno, Manuel Martín Cuenca, Francisco Aires Mateus e Mohammad Rasoulof. A selecção reúne obras de cinematografias diversas: autores consagrados como Richard Linklater (Blue Moon), Ildikó Enyedi (Silent Friend), Hal Hartley (Where to Land, em estreia europeia) e Christian Petzold (Miroirs No. 3); de outros de que há muito tempo não víamos filmes e regressaram com obras surpreendentes, como Cai Shangjun (The Sun Rises on Us All), Fernando Eimbcke (Olmo) e Milagros Mumenthaler (Las corrientes); e novos autores, que se afirmaram este ano ou nos últimos anos, entre eles Anuparna Roy (Songs of Forgotten Trees), Hasan Hadi (The President’s Cake), Alireza Ghasemi e Raha Amirfazli (In the Land of Brothers), e o português Pedro Cabeleira (Entroncamento). E, ainda a confirmar, Mektoub, My Love: Canto Due, que Abdellatif Kechiche concluiu finalmente este ano.


Fora de competição, brilham títulos que já incendiavam a expectativa: Dead Man’s Wire, de Gus Van Sant, que em princípio virá apresentar o filme; Hamnet, de Chloé Zhao; The Testament of Ann Lee, que será acompanhado pela realizadora Mona Fastvold, e ainda Brady Corbet e Stacy Martin; Die My Love, de Lynne Ramsay; The Mastermind, de Kelly Reichardt; The Wizard of the Kremlin, de Olivier Assayas, que acompanhará a sessão; e The Chronology of Water, de Kristen Stewart, que contamos ter em Lisboa com Kim Gordon. Juntam-se ainda o vencedor do Leopardo de Ouro em Locarno Two Seasons, Two Strangers; Kontinental ’25, de Radu Jude; The Voice of Hind Rajab, ovacionado em Veneza com cerca de trinta minutos de aplausos; e os três filmes da trilogia Sex Love Dreams, do norueguês Dag Johan Haugerud, cujo mais recente capítulo venceu o Urso de Ouro em Berlim e cuja presença é aguardada. Entre as estreias portuguesas destacam-se As Meninas Exemplares, de João Botelho, e Maria Vitória, de Mário Patrocínio, acompanhados pelos respectivos realizadores e elencos.


A secção Descobertas atribuirá o Prémio Revelação, que será decidido por um júri composto por Avi Mograbi, Margarida Cardoso, Stephen Kovacevich e Stéphanie Argerich, a um dos sete filmes de autores que se têm afirmado nos últimos anos. Em competição estarão DJ Ahmet, de Georgi M. Unkovski; Homebound, de Neeraj Ghaywan; Living the Land, de Huo Meng; Lucky Lu, de Lloyd Lee Choi; My Father’s Shadow, de Akinola Davies Jr.; Shadowbox, de Tanushree Das e Saumyananda Sahi; e Urchin, de Harris Dickinson.


No LEFFEST há descobertas absolutas, mas também há novo cinema de Grandes Mestres: filmes que contêm no seu âmago o brilho de uma veterania reconhecida e reconhecível. O público reencontrará nomes maiores do cinema contemporâneo com novas obras: Aleksandr Sokurov (Director’s Diary), Edgar Reitz (Leibniz – Chronicle of a Lost Painting), Franco Maresco (Un film fatto per Bene), Sharunas Bartas (Laguna) e José Luis Guerín (Historias del buen valle). Esta selecção ganha especial relevo com a presença em Lisboa de Sokurov, Bartas e Guerín, que estarão nas sessões para apresentar os filmes.


As homenagens desta edição abrem com a primeira grande retrospectiva europeia de Hal Hartley, figura maior do cinema independente americano, que será acompanhada da estreia europeia do seu mais recente filme Where to Land. O festival celebra ainda a actriz Isabel Ruth, rosto incontornável do Cinema Novo português e com uma carreira imparável que continua até hoje; o realizador e actor brasileiro Wagner Moura, recentemente distinguido em Cannes; e a actriz britânica Miranda Richardson, com uma carreira ímpar que atravessa quatro décadas de cinema. Todos estarão em Lisboa para apresentar os seus filmes e participar em encontros com o público.

Dois focos geográficos ampliam fronteiras: Um Novo Élan do Cinema Espanhol, que reúne sete filmes inéditos em Portugal e revela a vitalidade do novo cinema espanhol, com realizadores de diferentes gerações a reinventar o legado dos grandes mestres. Estarão presentes, entre outros, Manuel Martín Cuenca, Pilar Palomero, Alberto Morais e Javier Rebollo. O foco O Cinema da Ásia Central apresenta 12 filmes do Cazaquistão, Tajiquistão, Uzbequistão e Quirguistão, das Novas Vagas dos anos 80 até à criação contemporânea, alguns apresentados pelos próprios autores. Um caleidoscópio de paisagens grandiosas, múltiplas identidades e uma mística singular, onde a solidão colectiva e a melancolia se cruzam com a força da liberdade.


Em memória, o festival presta tributo a Marisa Paredes, a mulher que acompanhou o festival desde a primeira edição e que, nas palavras de Pedro Almodóvar, «tudo dignificava». Será lembrada como actriz íntegra, musa do cinema espanhol e presença luminosa, com a exibição de alguns dos seus filmes mais marcantes e a participação de alguns dos seus próximos.

Entre os ciclos temáticos, Exílios propõe uma reflexão íntima e política sobre a condição de desenraizamento, com filmes, debates, leituras, a exposição At the Edge of Visibility, do colectivo Dahaleez, na Galeria Zé dos Bois, e ainda um cine-concerto com The Immigrant (1917) e The Pilgrim (1923), de Charlie Chaplin, acompanhados ao vivo pelo Rodrigo Amado Trio. Em Revoluções, o cinema olha para a história como força transformadora, num programa com curadoria de Denis Ruzaev e Ines Branco López.

A programação inclui ainda uma Homenagem a Arvo Pärt no 90.º Aniversário. Um dos maiores compositores contemporâneos vivos e um dos mais interpretados, Arvo Pärt influenciou muito para além da música clássica. O festival celebra-o com um concerto pelo GGG Trio (Gidon Kremer – violino, Georgijs Osokins – piano, Giedre Dirvanauskaite – violoncelo), conversas sobre a sua obra e a exibição de filmes, incluindo a sua colaboração com Robert Wilson.


O LEFFEST volta a trazer três grandes filmes recentemente restaurados: Senso (1954), de Luchino Visconti, restaurado pela Cineteca di Bologna; La Règle du Jeu (1939), de Jean Renoir, restaurado pela Cinémathèque Française; e O Processo do Rei (1990), de João Mário Grilo, que terá a sua primeira exibição pública na nova cópia restaurada pela Cinemateca Portuguesa.

De 7 a 16 de Novembro de 2025, o LEFFEST espalha-se pelo Cinema São Jorge, Cinema Medeia Nimas, Culturgest, Teatro do Bairro, Auditório dos Recreios da Amadora, Cineteatro D. João V, Galeria Zé dos Bois e NOS Amoreiras, transformando a cidade numa constelação de salas, encontros e revelações.


Ver imagens da conferência de imprensa aqui.