Um dos mais respeitados autores do cinema espanhol, José Luis Guerín nasceu em Barcelona, em 1960. Iniciou o seu percurso com curtas-metragens experimentais, durante a juventude, e deu o salto para a longa-metragem em 1984, com Los motivos de Berta, premiado no Fórum da Berlinale. Em 1990, assinou Innisfree, um filme sobre outro filme, O Homem Tranquilo (1952), de John Ford, projeto que o levou até à cidade irlandesa de Innisfree, para explorar as ressonâncias da lendária obra de Ford na vida dos seus moradores. Seguiu-se, em 1997, Comboio de Sombras, uma revisitação arqueológica da das filmagens amadoras de Gérard Fleury; um filme que exibe uma bela poética da imagem como traço de ausência, entrelaçando ficção e realidade como dois lados de um mesmo tecido reversível. Em 2001, concluiu En construcción, o seu projeto mais aclamado pela crítica, que foi reconhecido com o Prémio FIPRESCI e o Prémio Especial do Júri no Festival de Cinema de San Sebastián, para além do Prémio Nacional de Cinema e o Goya de Melhor Documentário, em 2002 – trata-se de uma imersão no bairro El Raval, em Barcelona, durante o seu processo de reestruturação urbana. No Festival de Veneza de 2007, apresentou Dans la ville de Sylvia, mergulhando mais uma vez na ficção; o filme é uma fábula sobre o desejo e o processo de criação artística. Com Jonas Mekas fez o documentário Correspondencia Jonas Mekas – J.L. Guerín (2011), e entre os seus trabalhos mais recentes destaca-se A Academia das Musas (2015), sempre a testar, com imensa sensibilidade, as fronteiras entre ficção e documentário.
Deste cineasta maior será exibido, na presente edição do LEFFEST, o seu último filme, Historias del buen valle, numa sessão que conta com a sua presença.