Aleksandr Sokurov nasceu em 1951, na União Soviética. Licenciou-se no Departamento de História da Universidade de Nizhny Novgorod em 1974, e começou a trabalhar nos estúdios VGIK no ano seguinte. Durante muito tempo, os seus filmes foram censurados pelas autoridades soviéticas, que só permitiram a sua exibição depois da perestroika, a meio da década de 80. O seu primeiro filme, The Lonely Human Voice, realizado em 1979, estreou-se apenas em 1987, altura em que ganhou o Leopardo de Bronze no Festival de Locarno. Nos anos seguintes, estabeleceu-se como um dos grandes realizadores contemporâneos, e um dos herdeiros de Tarkovsky, autor de uma extraordinária obra que se move de forma incessante em muitas direcções (ele afirma que o cinema está em mudança constante), como se se tratasse de um work in progress imprevisível, entre a invenção livre, o classicismo e a experimentação. Arca Russa (2002), apresentado no Festival de Cannes, é um dos seus títulos mais aclamados. No ano seguinte, Pai e Filho (que faz díptico com Mãe e Filho, de 1997) também se estreou na competição oficial de Cannes, onde venceu o Prémio FIPRESCI; em 2011, Fausto alcançou o Leão de Ouro do Festival de Veneza, e Fairytale – Sombras do Velho Mundo (2022) foi seleccionado para a Competição Oficial do Festival de Locarno e do LEFFEST – Lisboa Film Festival. A sua obra mais recente, Director’s Diary (2025), estreada em Veneza, será exibida na presente edição do LEFFEST.