"li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?"

escreveu o poeta Herberto Helder num dos poemas de A Faca não Corta o Fogo.

Michel Demopoulos tinha uma enorme paixão pelo cinema. Ainda jovem trabalhou como crítico em várias publicações, foi chefe de redacção e director da prestigiosa revista de cinema Synchronos Kinimatografos, realizou a média-metragem documental I alli Skini / The Other Stage durante a rodagem do filme de Theo Angelopoulos, de quem era também amigo, O Thiasos / A Viagem dos Comediantes (1974-75). Em 1995, foi o curador da maior retrospectiva de cinema grego alguma vez feita no estrangeiro, no Centro Pompidou em Paris, e publicou o livro Le Cinéma grec.

De 1991 a 2005, foi o director do Festival Internacional de Cinema de Salónica. Durante este período, editou vários livros sobre cineastas como Robert Bresson, Luis Buñuel, Wong Kar Wai, Jerzy Skolimowski, entre outros. Organizou várias retrospectivas e semanas de cinema em Itália, Espanha, França, Holanda, Polónia, México, etc.

Fez parte do Quadro do Programa Media "Europa Cinemas", foi Consultor Executivo para as ficções e co-produções do canal de televisão público grego ERT, e membro do Comité do Prémio Lux do Parlamento Europeu. Participou como membro do júri de vários festivais de cinema por todo o mundo. Trabalhou como produtor para a Steficon, sediada em Atenas.

De 2014 a 2022 fez parte do comité de selecção do LEFFEST. O seu contributo, também na escrita de textos, ou apresentando filmes e participando em conversas, foi sempre dedicado e apaixonado, aliando um grande conhecimento do cinema clássico e moderno a um enorme entusiasmo pela descoberta de novos realizadores.

O LEFFEST organiza uma homenagem a Michel Demopoulos, com a presença da sua mulher, a escritora Ersi Sotiropoulos, que fez parte do júri do festival em 2017, e de vários dos seus amigos, e a exibição do seu I alli Skini / The Other Stage, e O Thiasos / A Viagem dos Comediantes, de Angelopoulos.