A 20.ª edição do LEFFEST presta homenagem a Lars von Trier com uma retrospectiva integral, a mais abrangente alguma vez realizada a nível mundial, até à data. O programa reúne longas e curtas-metragens, séries televisivas, anúncios publicitários e videoclipes, percorrendo uma obra que atravessa géneros e movimentos cinematográficos. Entre a experimentação formal e a desconstrução da «etiqueta» cinematográfica, o realizador dinamarquês explora as relações entre desejo, culpa, sofrimento e poder, interrogando as convenções da representação e as fronteiras entre ficção e realidade.
Para acompanhar as projeções da sua obra, o festival propõe uma «radiografia» do seu cinema, convidando alguns dos seus colaboradores mais próximos, de diferentes áreas, a partilhar experiências e a discutir o processo criativo, a evolução da obra e a singularidade dos seus métodos de realização.
Anders Refn, colaborador de Trier há cerca de três décadas, partilhará a experiência de um percurso que inclui a montagem de Ondas de Paixão e Anticristo, bem como a assistência de realização em Melancolia. O seu testemunho permitirá acompanhar a evolução do cineasta através do olhar de quem trabalhou com ele em diferentes momentos e funções, e como amigo.
Também Manuel Alberto Claro, director de fotografia de Melancolia, Ninfomaníaca e A Casa de Jack, ajudará a aprofundar a dimensão visual deste cinema: o trabalho com a câmara à mão, a forma como esta acompanha e reage aos actores, a proximidade a uma abordagem documental e a relação com a pintura, a composição e a cor.
A homenagem contará igualmente com a presença de actores que acompanharam Trier em diferentes momentos do seu percurso. Willem Dafoe juntar-se-á ao festival durante 24 horas para prestar homenagem ao seu amigo, participando numa conversa com Stacy Martin após a projecção de Ninfomaníaca — Vol. I (director’s cut) e na masterclass «Working with Lars von Trier», no Cinema Medeia Nimas, no dia 9, às 11h.
Jean-Marc Barr, cuja colaboração com o realizador começou em Europa, em 1991, juntar-se-á a Barbara Sukowa numa conversa após a projecção do filme. Jens Albinus partilhará a experiência de interpretar Os Idiotas, permitindo conhecer por dentro o trabalho segundo o «Voto de Castidade» do movimento Dogma 95. Louise Mieritz estará também presente na sessão de The Boss of It All, uma oportunidade para descobrir a vertente cómica do cinema de Trier.
O acesso aos bastidores prolonga-se em três documentários realizados durante as rodagens: The Humiliated, de Jesper Jargil, sobre Os Idiotas; Dogville Confessions, de Sami Saif, sobre Dogville; e The Road to Manderlay, de Carsten Bramsen, sobre Manderlay. A estes junta-se Tranceformer — A Portrait of Lars von Trier, de Stig Björkman e Fredrik von Krusenstjerna, um retrato do cineasta dentro e fora do trabalho.
O programa inclui ainda filmes de referência para o seu universo cinematográfico, entre os quais Edvard Munch, de Peter Watkins, India Song, de Marguerite Duras, e Dia de Cólera, de Carl Theodor Dreyer. Haverá também outras surpresas, ainda por anunciar.
O ciclo será acompanhado por uma publicação que reúne entrevistas com Lars von Trier e com os seus colaboradores, bem como manifestos escritos pelo realizador ao longo do seu percurso.
Entre filmes, conversas e documentos, esta homenagem propõe um olhar mais próximo sobre Lars von Trier, a sua obra e os seus métodos de trabalho: uma oportunidade para ouvir testemunhos directos, esclarecer dúvidas sobre tantos rumores que existem a volta dele e a volta das suas rodagens...