No panorama cinematográfico dinamarquês contemporâneo, e não só, Lars von Trier (n. 1956) continua a ser um dos nomes incontornáveis da provocação. Falamos de um cineasta visualmente impudico, sempre pronto a subverter a “etiqueta” cinematográfica, com um gosto particular pela experimentação formal. Desde a primeira longa-metragem, O Elemento do Crime (1984) até A Casa de Jack (2018), passando por Ondas de Paixão (1996) ou Dancer in the Dark (2000), o seu é um cinema de veia radical.
Nesta edição do festival, “radiografamos” da sua obra através de uma retrospectiva integral, a mais abrangente alguma vez realizada a nível mundial, que inclui longas e curtas-metragens, anúncios publicitários, videoclipes e documentários realizados durante as rodagens, ou sobre o próprio cineasta. Para nos ajudar a interpretar esta radiografia, teremos ainda conversas com alguns dos seus colaboradores de longa data — actores, directores de fotografia, montadores, argumentistas, entre outros...
"Esta experiência carnal, quando a magia do cinema realmente acontece, percorrendo o corpo como um orgasmo vibrante... É a busca dessa experiência que sempre esteve, e sempre estará, por trás de todo o meu trabalho e todos os meus esforços... NADA MAIS! (...) DÊEM-ME APENAS UMA LÁGRIMA OU UMA GOTA DE SUOR; EM TROCA DAR-VOS-EI DE BOM GRADO TODA A 'ARTE' DO MUNDO."
Manifesto No. 3: Europa, Lars von Trier