A 20.ª edição do LEFFEST – NOS Lisboa Film Festival abre com quatro novos filmes de alguns dos cineastas mais aclamados do cinema contemporâneo, que nos propõem diferentes formas de interrogar o presente. Paper Tiger, de James Gray, escolhido para a Cerimónia de Abertura, junta-se a Fjord, de Cristian Mungiu, Wild Horse Nine, de Martin McDonagh, e Possible Love, de Lee Chang-dong. De 6 a 15 de Novembro, o LEFFEST celebra a sua 20ª edição, renovando o encontro entre realizadores, espectadores e diferentes formas de pensar e experienciar o cinema.
O mais recente filme de James Gray, Paper Tiger, acompanha dois irmãos que se deixam envolver num negócio que parece demasiado bom para ser verdade e que os aproxima do mundo perigoso da máfia russa. À medida que a situação se agrava, os laços familiares são postos à prova, com a traição sempre à espreita. Com Adam Driver, Miles Teller e Scarlett Johansson, Gray regressa a temas centrais da sua filmografia: a lealdade entre irmãos, a violência, a culpa e a fragilidade do sonho americano. A crítica internacional destacou a continuidade do universo moral e visual de James Gray, salientando a dimensão trágica da relação entre os irmãos, a força das interpretações e a tensão narrativa que conduz as personagens para territórios que escapam à sua compreensão.
A secção Fora de Competição abre com Fjord, de Cristian Mungiu, distinguido com a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Numa pequena comunidade norueguesa, uma família romeno-norueguesa de convicções religiosas vê a sua vida abalada quando surgem suspeitas em torno dos métodos educativos dos pais. Com Renate Reinsve, actriz norueguesa distinguida em Cannes pela sua interpretação em A Pior Pessoa do Mundo e actualmente uma das presenças mais marcantes do cinema contemporâneo, e Sebastian Stan, Mungiu constrói um drama moral sobre o confronto entre valores familiares, culturais e religiosos.
Em Wild Horse Nine, Martin McDonagh transporta-nos para a Ilha da Páscoa, pouco antes do golpe de Estado chileno de 1973. Dois agentes da CIA, Chris e Lee, são enviados de Santiago para a ilha pelo seu superior, MJ. Entre as estátuas monumentais que marcam a paisagem, os dois homens confrontam-se com conspirações, segredos do passado e uma relação inesperada. Com um elenco de peso, que reúne John Malkovich, Sam Rockwell, Steve Buscemi e Tom Waits, o filme cruza o thriller político com o humor negro característico do realizador, numa combinação de sátira e intriga que explora o imperialismo e as contradições do poder.
O quarto título de abertura, Possible Love, assinala o regresso de Lee Chang-dong à longa-metragem. Apresentado na Competição Oficial do Festival de Veneza, onde conquistou o Grande Prémio do Júri e o Prémio FIPRESCI, o filme acompanha duas famílias de diferentes condições sociais, cujos percursos se cruzam em torno de um documentário sobre trabalhadores afectados pelo desemprego. A partir deste encontro, Lee constrói um retrato das desigualdades de classe e das relações de poder que atravessam a vida quotidiana. Com Jeon Do-yeon, Sul Kyung-gu, Cho Yeo-jeong e Zo In-sung, Possible Love explora a complexidade das relações humanas e as estruturas sociais que as condicionam. O filme integra a retrospectiva dedicada ao cineasta sul-coreano no LEFFEST e terá uma apresentação única em sala em Portugal, numa oportunidade rara de o descobrir no grande ecrã.
O LEFFEST encerra a sua 20.ª edição com The Debut, o novo filme de Jesse Eisenberg, apresentado nos festivais de Toronto e San Sebastián. Com Julianne Moore, Paul Giamatti, Halle Bailey, Jesse Eisenberg e Cara Buono, o filme acompanha uma dona de casa discreta que, inesperadamente escolhida para participar numa produção teatral comunitária, se deixa progressivamente absorver pela personagem que interpreta, sob a influência de um encenador de personalidade forte.
Ao longo de duas décadas, o LEFFEST tem promovido o encontro entre diferentes cinematografias, gerações e disciplinas artísticas. Os quatro filmes de abertura desta edição prolongam essa vocação através de olhares distintos sobre as relações familiares, os conflitos morais e as estruturas políticas e económicas que moldam o presente. De 6 a 15 de Novembro, o festival regressa a Lisboa para dez dias de projecções, encontros e descoberta.