Um dos maiores argumentistas do cinema português, com uma ampla e premiada obra, ao longo dos anos Carlos Saboga exerceu, sem diplomas e com mais ou menos convicção e assiduidade, como gostava de dizer, as actividades de tradutor, assistente de realização, jornalista (cronista, repórter, correspondente, crítico de cinema), tanto na imprensa como na rádio e na televisão. Participou, a diversos títulos, em filmes como de La Jeune Morte, (1965) de Claude Faraldo, Il Sasso in Bocca (1969) de Giuseppe Ferrara, Jacquou le Croquant (1969) de Stellio Lorenzi. Escreveu argumentos para a televisão e para o cinema, em Portugal e em França, tendo colaborado, entre outros, com os realizadores portugueses António-Pedro Vasconcelos, José Fonseca e Costa, Luís Galvão Telles, Fernando Lopes e Mário Barroso e com os chilenos Raul Ruiz e Valeria Sarmiento.
Em 1973, no festival de cinema de Pesaro, António-Pedro Vasconcelos apresentou-o a Paulo Branco. Seria o início de uma bela amizade e foi ele que incentivou Paulo Branco a abraçar a aventura do cinema Action République em Paris.
Ao longo destas cinco décadas, trabalharam juntos em diversos projectos e Saboga foi o argumentista de vários dos filmes produzidos por Branco: Mistérios de Lisboa (2010) de Raul Ruiz; As Linhas de Wellington (2012) e O Caderno Negro (2018) de Valeria Sarmiento; O Milagre Segundo Salomé (2004), Um Amor de Perdição (2008) e Ordem Moral (2021) de Mário Barroso, e, recentemente, adaptou de novo Camilo Castelo Branco em Memórias do Cárcere, de Sérgio Graciano, que ainda teve oportunidade de ver, e que se estreará em Portugal em Setembro de 2026.
Em entrevistas, confessou que quando começou a trabalhar no cinema como assistente de realização, o seu projecto era um dia tornar-se realizador. E Carlos Saboga realizou dois filmes, de cujo argumento também foi o responsável, ambos produzidos por Paulo Branco: Photo (2012, Festival de Roma) e A Uma Hora Incerta (2015, Festival de Viena), que têm em comum o tema do exílio. Na estreia do segundo, respondia assim em entrevista: "Talvez, sei lá, porque o exílio, forçado ou escolhido, é um ponto de partida dramaticamente interessante que permite ao autor um olhar, digamos, mais distanciado sobre as duas margens, a que se deixou e aquela a que se abordou. Mas suponho que a autobiografia não deva ser totalmente alheia a esta atracção pelos exilados com o vago perfume de deserção, de traição até... mais o consequente sentimento de culpa que os rói...". Nesse ano de 2015, a Medeia Filmes dedicou-lhe uma homenagem, nos cinemas Monumental e Nimas, programando os dois filmes que realizou e uma escolha de vários cujo argumento escreveu, e na qual, para além de Saboga, participaram realizadores, actores e o produtor Paulo Branco.
Foi também, por duas vezes, jurado do LEFFEST: em 2010, no júri do Encontro das Escolas Europeias de Cinema, e em 2013, no júri da Competição Oficial.
Em 2023 a Academia Portuguesa de Cinema distinguiu Carlos Saboga com o Prémio Sophia Carreira, "pelo impacto imensurável que teve no cinema português desde a década de 80". Paulo Branco, convidado a entregar-lhe o prémio, falou da "amizade muito pessoal e exigente" que os unia ao longo de cinco décadas, e acrescentou que Saboga lhe "trouxe um olhar e uma visão do cinema e do mundo que se aproximava muito da sua".