Mulher dos 7 Ofícios

15 de Novembro, 17h
Teatro do Bairro
  • Espectáculos

E se os sete pecados capitais fossem, afinal, sete formas de a Humanidade revelar as suas próprias feridas?

Lisboa, século XXI. Sete Mulheres. Sete Artes. Sete Pecados Capitais. Quarenta e cinco minutos de uma travessia pela condição humana, num mundo onde nunca tivemos tanto acesso à informação e, paradoxalmente, onde nunca estivemos tão distantes da capacidade de nos escutarmos.

Em palco, sete Mulheres de diferentes origens étnicas, culturais e geracionais dão corpo e voz aos sete pecados capitais, através da Dança, Música, Pintura, Escultura, Teatro, Literatura e Cinema. Cada uma transporta consigo uma história, uma cicatriz e um manifesto sobre a sociedade que habitamos.

A Ira dança a revolta de quem foi silenciada. A Inveja canta a dor de quem deixou de reconhecer a própria voz. A Soberba pinta os rostos que escondemos de nós próprios. A Avareza esculpe a desigualdade de uma cidade onde ter um teto se tornou um privilégio. A Luxúria representa o corpo feminino que a História insistiu em julgar. A Gula devora palavras e informações, procurando alimentar uma Alma cada vez mais vazia. E a Preguiça filma a indiferença de uma Humanidade que aprendeu a assistir ao sofrimento sem sentir necessidade de intervir.

Todas coexistem em cena, numa coreografia de encontros e desencontros, enquanto uma oitava presença, invisível e omnipresente, procura interpretar, classificar e antecipar os seus comportamentos: a Inteligência Artificial.

Mas poderá uma máquina compreender aquilo que nunca viveu? Poderá reproduzir a emoção sem conhecer a dor? E que lugar resta à nossa Humanidade quando até a nossa identidade parece poder ser traduzida em dados? Mulher dos 7 Ofícios inverte a perspetiva histórica de uma moral predominantemente escrita e interpretada por homens, devolvendo às Mulheres o direito de questionar os pecados que lhes foram atribuídos.

Entre a ancestralidade e o algoritmo, entre o corpo e o ecrã, entre o ruído da desinformação e o silêncio da Alma, sete Mulheres confrontam-nos com uma pergunta que atravessa toda a obra: Será que o maior pecado do nosso tempo não será precisamente a nossa incapacidade de reconhecer a Humanidade no Outro? Porque talvez os sete pecados capitais não habitem estas sete Mulheres, mas o mundo que insiste em julgá-las. E quando as sete Artes se encontram, nasce um oitavo ofício, aquele que nenhuma tecnologia poderá viver por nós: A Arte de Ser Humano.

- Manifesto escrito por Dino D'Santiago

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